AINDA MAIS A SUL
A margem esquerda do Guadiana permanece bastante selvagem. E, sobretudo, esquecida. Quem não tem jipe, vai ter de sujar o carro e arriscar a pele no encontro com algum camião perdido (aconteceu-me!) que lhe buzinará a frustração de ter de percorrer terra batida onde se esperaria encontrar (mapa dixit), uma estrada alcatroada.
Posto isto, há o PULO DO LOBO, perto de Serpa, onde as águas se enfurecem no aperto das rochas. Os caminhantes arfam, chapada acima, e casais abraçam-se ("quem é que é o queriducho mais fofinho e corajoso que até traz a sua nina a sítios quase-perigosos, quem é?!").- Mas vale a pena. Os pássaros abundam, das cegonhas aos melros azuis, passando, aqui e além, por uma ave de rapina difícil de identificar. Por todo o lado o sinal vermelho e branco da Caça Turística. As terras a sul de Beja parecem servir apenas para jipes carregados de homens armados passarem os domingos e feriados. Cruzei-me com perdizes mansas que atravessavam a estrada. Calculo que não terão vida longa, a atentar no desgraçado contexto onde se lembraram de nidificar.
Parece-me que este Portugal profundo, cheio de vida animal e desertada pelos seus habitantes mereceria melhor sorte.
Digo eu, que não ganho a vida em S.Bento...
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